Ruben Fontes Neto

São Paulo e Palmeiras são os finalistas do Paulistão 2021. O confronto entre os rivais tricolores e alviverdes ocorrerá apenas pela segunda vez na finalíssima do campeonato. Na primeira, há 29 anos, o São Paulo contou com um show de Raí e levou a melhor. Em outras seis oportunidades o confronto definiu o campeonato, e aí a vantagem é palmeirense, com quatro vitórias contra duas do Tricolor.

A única decisão em formato eliminatório entre São Paulo e Palmeiras aconteceu em 1992. Campeão no ano anterior e vivendo o auge da Era Telê Santana, o Tricolor literalmente deu a volta ao mundo para ser campeão paulista, já que dividiu a atenção entre estadual e mundial. O primeiro jogo aconteceu em 5 de dezembro e o São Paulo venceu por 4 a 2 com um show de Raí, que marcou três vezes. Cafu, para o São Paulo, Daniel e Zinho, para o Palmeiras, foram os outros marcadores.

Pós-jogo, o Tricolor viajou ao Japão para disputar a Taça Intercontinental contra o Barcelona. O jogo do dia 13 de dezembro terminou com vitória de 2 a 1 e o primeiro título mundial são-paulino.

De volta ao Brasil, o São Paulo reencontrou o Palmeiras no dia 20. Novamente o time de Telê Santana levou a melhor sobre o rival, vencendo por 2 a 1 com gols de Muller e Toninho Cerezo, com Zinho marcando novamente para o Palmeiras.

Pontos corridos
Em outras seis oportunidades, tricolores e alviverdes decidiram o título em um confronto direto. Nessas disputas, o Palmeiras levou a melhor e venceu quatro.

Após sua fundação, em 1930, o São Paulo se mostrou um forte oponente ao Palestra Itália e Corinthians, que dominavam o futebol paulista. Tanto que logo em seu primeiro ano foi vice para o alvinegro e no segundo campeão com o alviverde vice. Em 1932, foi a vez do Palestra Itália levar a melhor e o Tricolor ficar com em segundo.

A primeira decisão em confronto direto entre eles, porém, aconteceu em 1933. Pelo torneio da APEA – aquele ano também havia a FPF – o Palestra Itália venceu o confronto do primeiro turno e por conta disso chegou com a vantagem de dois pontos perdidos a menos que o rival para o jogo do dia 12 de novembro. No Parque Antárctica, Avelino marcou aos 34 do segundo tempo, garantindo a vitória alviverde por 1 a 0 e o quinto título do Paulistão do clube.

Após enfrentar uma crise e até fechar as portas, o São Paulo voltou a se estruturar e disputar títulos na década de 1940. Assim foi em 1941, quando foi vice e em 1942. Separados por dois pontos, Palmeiras e São Paulo se enfrentaram na penúltima rodada do campeonato. Como não poderia ser diferente, o jogo foi bastante disputado. Aos 19 do segundo tempo, o Palmeiras vencia por 3 a 1, quando o sãopaulino Virgílio cometeu falta dura em Og Moreira e foi expulso. O time do São Paulo, sem concordar com o árbitro, abandonou o jogo. Declarado vencedor, o alviverde foi o campeão pela nona vez e na última rodada ganhou do Corinthians, que terminou vice após o Tricolor ser suspenso pela FPF e perder os pontos do jogo contra o Espanha (atual Jabaquara).

Em 1943, São Paulo, Palmeiras e Corinthians voltaram a disputar o título. Na última rodada, o Tricolor liderava com 32 pontos, contra 30 dos rivais, mas tinha um confronto direto contra o Palmeiras. O Corinthians entrou em campo no dia 2 de outubro e goleou a Portuguesa Santista por 6 a 1. O resultado dava a chance de um triplo empate na liderança, porém, São Paulo e Palmeiras empataram sem gols no dia seguinte, garantindo a segunda conquista tricolor, que quebrou um jejum de 11 anos e ficou conhecida como ‘a moeda que caiu em pé’. Foi o início do primeiro período de conquistas do clube.

Dominante na década de 1940, quando venceu o Paulistão cinco vezes (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949), o São Paulo mais uma vez disputou o título em 1950. Em um dos estaduais mais acirrados da história – a diferença do campeão para o quinto foi quatro pontos -, o Tricolor chegou na última rodada um ponto atrás do Palmeiras. Já em 21 de janeiro de 1951, os rivais fizeram o jogo decisivo no Pacaembu. O São Paulo até saiu na frente, mas o Palmeiras buscou o empate no segundo tempo e ficou com a taça, sua 12ª.

Após 21 anos, São Paulo e Palmeiras voltaram a protagonizar a decisão. Separados por apenas um ponto, os times se enfrentaram no Morumbi, inaugurado após o Paulistão de 1970. Com a vantagem do empate, o Tricolor recebeu o rival em sua casa no dia 27 de junho e venceu por 1 a 0, conquistando seu 10º título estadual.

A situação voltou a se repetir no ano seguinte. Após 21 rodadas sem serem derrotados, Palmeiras e São Paulo se enfrentaram no Pacaembu no dia 3 de setembro. O empate em 0 a 0 mostrou bem o que foi a campanha das equipes, que sofreram apenas oito e sete gols respectivamente. Embora ambos tenham terminados invictos, quem comemorou foi o Palmeiras, que teve 15 vitórias contra 14 do rival e faturou o seu 16º título do Paulistão.

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