Há 10 anos, a Série A2 tinha uma de suas melhores finais da história. A decisão entre XV de Piracicaba e Guarani em jogo único confrontou dois dos mais tradicionais times do interior paulista. Em campo, jogadores que fariam história nos anos seguintes. No jogo, empate no tempo normal, prorrogação e título definido apenas nos pênaltis.

O caminho até a final
XV de Piracicaba e Guarani começaram a Série A2 de maneira distintas. O time campineiro chegava após rebaixamento no Paulistão, enquanto o alvinegro vinha de um acesso na Série A3. Divivido em dois grupos de 10 equipes, o torneio teve oito classificados para os quadrangulares de acesso.

As equipes conquistaram o acesso no mesmo dia. Em 24 de abril, o XV de Piracicaba goleou o Monte Azul por 4 a 2 e confirmou sua volta para a elite, que tinha disputado pela última vez em 1995. O Guarani também comemorou a subida com goleada – 4 a 2 sobre o Rio Preto.

Confirmado a liderança de suas respectivas chaves, os times voltaram a se encontrar em um jogo único em Piracicaba no dia 7 de maio. Na primeira fase, o XV havia levado a melhor com um empate no Brinco de Ouro e uma vitória no Barão de Serra Negra, palco da final no dia 7 de maio.

A decisão
O regulamento previa jogo único na casa da melhor campanha, mas sem vantagem do empate e com prorrogação antes dos pênaltis. A final começou em ritmo acelerado e Rodrigo Paulista abriu o placar para o Bugre logo aos 10 minutos. O meia, porém, foi expulso aos 22, deixando o time visitante com um a menos. O XV aproveitou e empatou aos 33, com Adílson, mas Marcos Denner, aos 42, voltou a colocar o Guarani em vantagem.

Com um a mais, o XV pressionou no segundo tempo e chegou ao empate aos 32 minutos, novamente com Adilson. Depois, o clima de tensão tomou conta e a igualdade permaneceu no tempo normal e também na prorrogação.

Nos pênaltis, o time da casa levou a melhor por 4 a 2 e fez explodir o Barão de Serra Negra com a quinta conquista da Série A2 na história – já havia ganho em 1947, 1948, 1963 e 1983.

XV de Piracicaba foi o campeão da Série A2 2011

Personagens
A decisão teve em campo atletas que ganhariam destaques nos anos seguintes, com direito a passagem por grandes clubes brasileiros, conquista de títulos nacionais e também vítimas da tragédia do voo da Chapecoense-SC.

Neto: o zagueiro defendeu o Guarani na decisão. Permaneceu na equipe no ano seguinte, quando foi vice-campeão paulista. Depois, passou pelo Santos e chegou na Chapecoense-SC em 2015. Titular da equipe que chegou na final da Copa Sul-Americana, Neto estava no voo que vitimou 71 pessoas. Milagrosamente, foi um dos 6 sobreviventes, porém, nunca mais voltou a jogar.

Bruno Rangel: reserva na decisão da Série A2, o atacante entrou no final do tempo normal. Após o torneio, se transferiu para o Joinville-SC, onde conquistou a Série C. Em 2013, chegou na Chapecoense-SC. Em sua primeira passagem fez 34 gols em 48 jogos. Saiu rapidamente para o futebol do Catar e retornou em 2014, para fazer mais 43 gols, se tornando o maior artilheiro da história do clube catarinense com 77 gols marcados. Também estava no voo que caiu na Colômbia, mas foi uma das vítimas.

Ricardinho: o camisa 10 do XV na campanha e na decisão, deixou o time para defender o Londrina-PR, mas retornou para o Paulistão 2012. Com destaque, acertou sua ida para a Ponte Preta. Já em 2013, chegou ao Ceará, onde permaneceu por sete temporadas e virou um dos grandes ídolos da equipe após a conquista de três campeonatos cearenses e duas copas do Nordeste. Neste ano, deixou o time para defender o Botafogo-RJ.

Adílson: autor de dois gols na final, o atacante Adilson já havia tido uma boa passagem pelo clube entre 2008 e 2009. Retornou em 2011 e não decepcionou. Foi o vice-artilheiro da competição. Após se destacar no Paulistão 2012, se transferiu para o Corinthians, onde atuou 11 vezes com o elenco que seria campeão mundial. Antes da competição, porém, Adilson acabou afastado por conta de um problema cardíaco. Após ver seu vínculo com o time da capital acabar, retornou ao XV onde prosseguiu com sua carreira. Em 2020, defendeu o Rio Claro.

Paulinho: outro atleta que saiu no banco de reservas na final foi Paulinho. Com passagem pelo Corinthians, chegou ao XV em 2009. Permaneceu na equipe até 2013, quando se transferiu para o Flamengo-RJ após realizar um bom Campeonato Paulista. Pelo time carioca, venceu a Copa do Brasil em 2013 e o Campeonato Carioca 2014. Deixou o rubro-negro e foi para o Santos, vencendo o Paulistão de 2016. Ainda ganhou o Campeonato Baiano pelo Vitória em 2017. Atualmente defende o Rio Branco-ES.

Léo Cittadini: aos 16 anos, era o caçula da equipe bugrina no torneio. Ficou apenas no banco na final. Em 2012, se transferiu ao Santos. Pelo alvinegro, venceu a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2013 e no profissional fez parte do elenco campeão paulista em 2015 e 2016. Após o término do contrato em 2018, acertou sua ida ao Athletico-PR. Campeão paranaense em 2019, o meia teve destaque na Copa do Brasil do mesmo ano, quando marcou um dos gols do título da equipe. Pelo rubro-negro, também foi campeão da Copa Suruga em 2019 e do estadual em 2020. Aos 27 anos, segue no clube como titular.

Fabinho: o atacante marcou época em Campinas. Titular na Série A2, permaneceu para o Campeonato Brasileiro e foi vice-campeão paulista no ano seguinte, sendo um dos principais destaques. As boas atuações o levaram para o Cruzeiro em 2012. No ano seguinte, se transferiu para o Criciúma-SC, onde foi campeão catarinense. Em 2014, foi campeão da Série B nacional pelo Joinville-SC. O atacante ainda se mantém na ativa e defende o Juventus de Jaraguá-SC.

Aislan: revelado pelo São Paulo, onde foi campeão brasileiro em 2007, o zagueiro se transferiu para o Guarani em 2010. Permaneceu para a temporada 2011 e foi titular da final. Depois de passar pelo futebol suiço, retornou ao Brasil e jogou no Madureira-RJ. Se destacou e acabou contratado pelo Vasco-RJ, onde jogou em 2015 e 2016. Atualmente defende o Othellos Athienou, do Chipre.

Marcos Denner: autor do segundo gol do Guarani na final, o atacante já era veterano na decisão. Artilheiro do Guarani na campanha, com 11 gols, teve uma passagem pelo Flamengo em 2005, um ano após se destacar pelo Criciúma-SC. Seu último clube foi a Inter de Limeira, em 2005, onde se aposentou aos 39 anos e com o título da Série A3 do Campeonato Paulista.

André Cunha: o meia foi um dos principais nomes do XV na campanha do título e titular da final. Chegou ao clube como grande reforço e não decepcionou. Conhecido por uma passagem pelo Palmeiras em 2003, permaneceu no clube piracicabano para a disputa do Paulistão 2012. Após rodar por mais algumas equipes, retornou a Piracicaba em 2017 e ficou até 2019, quando se aposentou.

Marlon: autor do chute que deu o título para a equipe nas cobranças de pênaltis, o meia estava em final de carreira na decisão. Revelado pelo Cruzeiro, também passou pelo Vasco-RJ, onde teve a oportunidade de jogar com Romário. Mas foi no XV onde fez sua história. Em diversas passagens, acumulou 300 jogos com a camisa zebrada e conquistou três acessos (2005, 2010 e 2011). Se aposentou em 2012.

Ficha Técnica

XV de Piracicaba (4) 2 x 2 (2) Guarani

Data: 07/05/2011
Local: estádio Barão de Serra Negra, em Piracicaba
Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza

XV de Piracicaba: Wanderson, Vinícius Bovi, Everton Dé, João Paulo (Marlon) e Ceará; Diego Araújo (Fábio Santos), Gláuber, André Cunha e Ricardinho; Rodolfo (Paulinho) e Adílson. Técnico: Moisés Egert

Guarani: Emerson, Neto, Aílson e Aislan; Chiquinho (Thiago Maciel), Carlos (Bruno Rangel), Dadá, Rodrigo Paulista e Carlinhos; Fabinho e Marcos Denner (Luís Gustavo). Técnico: Vilson Taddei

Gols: Rodrigo Paulista (GUA, aos 10’1ºT), Adílson (XVP, aos 33’1ºT), Marcos Denner (GUA, aos 42’1ºT) e Adílson (XVP, aos 32’2ºT).

Cartões amarelos: Everton, João Paulo, Marlon, Ceará, Ricardinho, André Cunha e Vinicius Bovi (XVP); Aislan, Fabinho, Chiquinho, Ailson e Dadá (GUA)
Cartões Vermelhos: Everton (XVP); Rodrigo Paulista (GUA)

Deixe uma resposta