Com população estimada em mais de 12 milhões de habitantes, a cidade de São Paulo é a oitava mais populosa do mundo. Ainda assim, o município está longe dos números de outras metrópoles quando o assunto é quantidade de clubes profissionais. O 1902futebol traz um levantamento inédito e mostra que a cidade poderia ter muito mais clubes e ficar mais próxima de outros centros como Buenos Aires, Montevidéu e Londres, por exemplo.

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Hoje a cidade de São Paulo conta com sete times profissionais: o trio de ferro Corinthians, Palmeiras e São Paulo, a Portuguesa representando a colônia lusitana, o Juventus da Mooca, o resistente Nacional e o quase desconhecido Barcelona Capela.

Nesta semana, a cidade ganhou um novo clube filiado: o Ibrachina. Porém, a filiação é apenas para disputar as categorias de base. Além dele, outro time filiado pela capital, mas que não joga o profissional – e nem a base – é o ‘fantasma’ Monte Alegre, ex-Litoral FC. O Força era outro time filiado em São Paulo, mas hoje consta como sede a Rua Heloísa Pamplona, em São Caetano do Sul, e quando atuou entre 2003 e 2010 mandava seus jogos em Caieiras.

Além desses clubes, separamos outros que poderiam representar a cidade. Eles foram divididos em algumas categorias de acordo com as suas características.

Clubes históricos
Quatro clubes históricos de São Paulo poderiam estar ativos, mas ao longo do tempo se retiraram das competições. O Clube Atlético São Paulo, fundado como São Paulo Athletic Club (SPAC) por ninguém menos que Charles Miller, foi campeão paulista em 1902, 1903, 1904 e 1911. Localizado na Consolação, ainda existe, mas se afastou das competições de futebol a partir de 1913.

Também tradicional e 11 vezes campeão paulista, o Paulistano vive situação semelhante. Fundado em 1900, o time do Jardim América disputou as competições de 1902 a 1929, quando se retirou. Hoje mantém a disputa de outros esportes. O mesmo ocorre com o Pinheiros, que jogou até 1932 como Germânia e foi campeão em 1906 e 1915.

Por fim, o Clube Atlético Ypiranga localizado no bairro homônimo, jogou o Paulistão de 1910 até 1958, quando foi rebaixado e decidiu abandonar o futebol. Foi vice-campeão paulista em 1913, 1935 e 1936.

Ainda nessa lista, poderiam ser incluídos times como a AA das Palmeiras, São Bento, Internacional e Comercial, clubes que disputaram a primeira divisão e já estão extintos.

Pequenos que se arriscaram no profissionalismo
Desde que a Lei do Acesso passou a vigorar em 1948, poucos foram os times da capital que se arriscaram a entrar nas disputas profissionais começando ‘de baixo’. Dois deles ainda conseguiram ser campeões: Guapira e Minister.

Tradicional clube da Zona Norte, o Guapira disputou 20 temporadas entre 1983 e 2002 e venceu a Série B2 de 1998. Já o Minister representava o bairro de Santo Amaro e venceu a quarta divisão de 1967, ano em que estreou. A participação no profissionalismo, porém, foi apenas até o ano seguinte.

Além dos dois, tentaram a sorte no profissionalismo: Estrela da Saúde (11 participações), Nitro-Química (4), Lapeaninho (3), Parque da Mooca (2), Alfa e Santa Marina (1).

Times B
No início do século XXI, alguns clubes da cidade de São Paulo tiveram equipes B, assim como ocorre com alguns clubes europeus. Quem teve mais sucesso foi o Palmeiras, que chegou até a Série A2. O Corinthians foi campeão da Série B3 em 2001 e jogou até 2002. Já a Portuguesa teve seu time B atuando em 2003.

Times amadores
Há ainda casos de clubes amadores que nunca se aventuraram no profissionalismo apesar de muita tradição. Nesse quesito, é possível citar casos como o Lausanne Paulista, Ajax, Botafogo de Guaianazes, Leões da Geolândia, entre outros.

Porque existem poucos times em São Paulo?
O número reduzido de clubes na capital paulista tem alguns fatores determinantes. O primeiro é o custo da profissionalização. Embora sabe-se que no amador há pagamentos eventuais, o custo do futebol profissional é muito maior.

Outro problema é a falta de estádios para mandar as partidas. As exigências da FPF e dos órgãos públicos tornam as opções limitadas. Sem locais próprios para jogar, restaria aos clubes alugar os espaços existentes, já que a FPF não permite aos clubes atuarem fora da cidade de São Paulo.

Por fim, a falta de apoio da torcida local, um problema histórico que até mesmo o interior vive. Enquanto em outros locais as comunidades ajudam a sustentar as equipes de bairro, no Brasil opta-se por priorizar os ‘times grandes’.

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