Ruben Fontes Neto

O início dos anos 90 foi uma das épocas mais vitoriosas da história do São Paulo. Campeão da Libertadores e Mundial em 1992 e 1993, o Tricolor ainda faturou o Brasileiro de 1991. No meio das conquistas, o time comandado por Telê Santana ganhou também o Paulistão de 1991. A conquista, porém, até hoje é marcada pelo mito de que a equipe teria caído em 1990. Entenda o que aconteceu e como o São Paulo passou de ‘rebaixado’ a campeão.

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A origem ocorre no Paulistão de 1987, que teve problemas judiciais. A FPF, então, resolveu inchar a elite paulista. De 20 equipes em 1988, o torneio passou para 22 no ano seguinte, 24 em 1990 e, finalmente, 28 em 1991. Para alocar tantos clubes, eles eram divididos em dois grupos. Em um deles, ficavam as equipes consideradas mais fortes, enquanto as restantes integravam a outra chave. Para não repetir os mesmos times, de um ano para outro havia acesso e rebaixamento entre os grupos; Não havia, porém, queda de divisão.

Como o São Paulo foi parar no Grupo B?

Se você acha que o regulamento atual do estadual é confuso, em 1990, era muito mais. Os 24 participantes eram divididos em dois grupos de 12 equipes cada. Apesar disso, na primeira fase, os times jogaram todos contra todos, acumulando 23 jogos.

O regulamento previa que os três primeiros de cada chave avançavam para a fase seguinte, sendo que o campeão de cada grupo garantia vaga na Copa do Brasil de 1991. Por conta disso, Bragantino e Novorizontino, campeão e vice ao final, ficaram de fora do torneio nacional.

Sendo assim, Corinthians, Palmeiras, Bragantino, XV de Piracicaba, XV de Jaú e Ferroviária se classificaram. Outras seis vagas eram dadas para os times que tivessem a melhor campanha, independente da chave. Nesse critério, Ituano, América, Santos, Mogi Mirim e Portuguesa avançaram de forma direta. Com 23 pontos, o São Paulo ficou de fora, mas ainda teve uma segunda chance, já que o regulamento previa uma repescagem entre as outras 12 equipes.

Naquele ano, aconteceu a Copa da Itália. Obviamente, a FPF decidiu seguir com o seu torneio. Enquanto o Brasil se preparava para o Mundial, o São Paulo iniciava então a repescagem para a segunda fase do Paulistão. As 12 equipes foram divididas em dois grupos que jogavam em dois turnos. Apenas o líder de cada seguia no torneio. Após fracassar na fase inicial, o São Paulo novamente não conseguiu a classificação para a segunda fase. Com isso, em 1991, as 14 equipes do Grupo Verde foram os times que chegaram na segunda fase de 1990. Assim, o São Paulo foi parar no Grupo Amarelo.

Caminho facilitado

Após o fiasco de 1990 e um início ruim no Brasileirão, o São Paulo trocou o comando técnico. O uruguaio Pablo Forlán deixou a equipe para a chegada de Telê Santana. Com o novo técnico, o Tricolor foi vice-campeão brasileiro de 1990. No ano seguinte, o calendário se inverteu. O nacional foi disputado no início do ano. O São Paulo foi o campeão em 9 de junho e quando o Paulistão teve início, no dia 24 do mês seguinte, a equipe do Morumbi já era a favorita.

Diferentemente do ano anterior, na primeira fase os times jogavam dois turnos dentro do próprio grupo para definir os classificados. Diante das equipes consideradas mais fracas, o São Paulo não teve dificuldades. Em 26 jogos, foram 17 vitórias, oito empates e apenas uma derrota.

Outra mudança de regulamento foi o número de classificados, que caiu para oito (5 do Grupo Verde e 3 do Grupo Amarelo). Eles foram divididos em dois grupos de quatro. De um lado, Corinthians, Portuguesa, Inter de Limeira e Santo André. De outro, São Paulo, Palmeiras, Guarani e Botafogo.

São Paulo e Palmeiras chegaram empatados em oito pontos na rodada final. O Tricolor tinha três vitórias e dois empates, enquanto o alviverde tinha quatro vitórias e uma derrota – exatamente para o rival. O regulamento, porém, previa que em caso de empates em pontos prevaleceria a melhor campanha na fase anterior. Enquanto palmeirenses questionam a vantagem do rival até hoje, por estar em um grupo mais fraco, os são-paulinos seguraram o empate em 0 a 0 para garantir vaga na decisão contra o Corinthians.

Raí brilha na final

A decisão opôs os finalistas do Campeonato Brasileiro de 1990. Ambas as partidas foram disputadas no Morumbi. No jogo de ida, Raí brilhou e marcou três vezes, dando larga vantagem ao Tricolor contra o Corinthians. O camisa 10, inclusive, foi o artilheiro da competição marcando 20 gols durante a campanha.

O São Paulo só não seria campeão caso perdesse o jogo de volta no tempo normal e também fosse derrotado na prorrogação – não havia saldo de gols –, porém, um empate sem gols coroou a conquista são-paulina.

O time tricolor ainda conquistaria o bicampeonato estadual em 1992, além de iniciar uma série de conquistas internacionais que marcaram a história do clube.

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