A criação da Superliga europeia reunindo 12 dos principais clubes do continente agitou o mundo do futebol. Sem rebaixamento dos fundadores, convites para um grupo exclusivo e muito dinheiro para os envolvidos. A ideia elitista, porém, não é novidade no futebol e mesmo os clubes paulistas menores já sofreram com isso. Confira abaixo algumas das vezes em que criou-se uma ‘Superliga de São Paulo’.

Jabaquarada

O futebol paulista passou por diversas fases. Ora os times do interior tinham espaço na elite, ora eles eram jogados para escanteio. Isso mudou com a criação da Lei do Acesso em 1947. O Campeonato do Interior virou a Segunda Divisão de Profissionais e a partir de 1948 os clubes do interior puderam se juntar aos principais clubes de São Paulo e Santos na elite estadual.

O XV de Piracicaba foi o primeiro time que se juntou à elite. O Paulistão, disputado pelos mesmos 11 fundadores da FPF desde 1941 via a primeira cara nova em muito tempo. Decidiu-se que o torneio contaria com 12 clubes. O Guarani subiu em 1949 e o Comercial da capital caiu, indo jogar a segunda em 1950.

Logo no terceiro ano com a Lei do Acesso em vigor, porém, o ‘tapetão’ apareceu. Lanterna no Paulistão, o Jabaquara teria que ser rebaixado para a promoção do campeão da Segunda Divisão, que foi o Radium de Mococa. A FPF, porém, não só manteve o time de Santos, como também promoveu o Comercial da capital e a Ponte Preta, preterindo o Botafogo de Ribeirão Preto, vice no segundo escalão.

Com 15 equipes, a intenção era que de fato houvesse rebaixado em 1951. Novamente o Jabaquara foi o lanterna, enquanto o XV de Jaú fora o campeão da segunda divisão. O time santista mais uma vez bateu o pé, alegou que o regulamento não estava registrado na Confederação Nacional de Desportos e forçou um confronto contra os jauenses para permanecer na elite. Derrotado, o Jabaquara entrou na justiça e conseguiu o direito de permanecer na elite.

Depois disso, clubes e FPF acordaram que a partir de 1952 seriam dois rebaixados e apenas um promovido até que o campeonato voltasse a ter 12 equipes. O Jabaquara não conseguiu escapar da queda.

Lei do Acesso suspensa

O Paulistão seguiu disputado com números de clubes aumentando e diminuindo. Em 1969 foram 14 na disputa. O Paulista de Jundiaí acabou rebaixado e a Ponte Preta subiu como campeã da segunda divisão. No dia 29 de novembro de 1969, uma assembleia na FPF extinguiu a Lei do Acesso. Apesar disso, Noroeste e Marília, campeões da segunda divisão em 1970 e 1971, respectivamente, jogaram a elite nos anos seguintes. O mesmo não ocorreu com São José, Araçatuba, Catanduvense e Santo André. Campeões na sequência, eles não tiveram o direito de disputar a primeira divisão.

Ainda nesse período, o Paulistão era dividido em duas fases. Na primeira, os times menores jogavam para ter o direito de se juntar aos principais clubes na fase principal. Em 1973, a FPF foi além e criou o ‘Torneio dos 10’. Como o nome sugere, 10 clubes foram convidados para jogar a fase classificatória para o Paulistinha, como era chamada a primeira fase. Saad, Rio Preto e Nacional ficaram com as vagas. Desses, o Saad conseguiu se classificar para a fase principal e por conta disso foi mantido pela FPF na primeira divisão como convidado.

Quando a Lei do Acesso voltou a vigorar em 1976, o Saad teve o convite revogado e retornou para a disputa da Segunda Divisão, que teve o XV de Jaú campeão. Na elite, não houve rebaixamento, que só voltou a ocorrer em 1978.

Grandes não caem

Raras vezes os quatro grandes de São Paulo flertaram com o rebaixamento no estadual. Apesar disso, em 1998 e 1999, essa possibilidade não era possível mesmo que eles perdessem todas as partidas que disputassem. Isso porque o regulamento previa que 12 das 16 equipes iniciassem o campeonato na primeira fase. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos só entravam depois. Para se ter uma ideia do benefício, a Portuguesa chegou a ser a quarta colocada de 1998, porém, teve que iniciar 1999 na primeira fase, enquanto o Santos começou na segunda.

Vice fora do Rio-São Paulo

O Botafogo foi o vice-campeão paulista de 2001. Com a criação do Torneio Rio-São Paulo em 2002, nove paulistas integraram o campeonato. O time de Ribeirão Preto estava na lista, correto? Errado! Além de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, a FPF indiciou o São Caetano, vice-campeão brasileiro, Portuguesa, Ponte Preta e Guarani. Vale ressaltar que o Bugre seria rebaixado no estadual caso os regulamentos prevalecessem. A nona vaga ficou para o Etti Jundiaí, campeão da Série A2. Ao Botafogo, restou disputar o Paulistão esvaziado.

Regulamento atual

O atual regulamento do Paulistão prevê os times separados em quatro grupos. Em 2014, o Ituano foi o campeão, enquanto o Corinthians sequer ficou entre os oito melhores. Apesar disso, o regulamento, que não mudou desde então, prevê que os quatro maiores vencedores sempre serão os cabeças de chave nos sorteios

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